sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Obama e o escudo antimísseis - uma no cravo, outra na ferradura

Seguindo uma agenda de política externa contraditória (anúncio de retirada de tropas do Iraque - reforço de soldados no Afeganistão; decisão de não vetar resolução da OEA pela revogação da expulsão de Cuba - renovação do embargo) o presidente Obama anunciou o fim do plano megalomaníaco de criação de um escudo antimísseis na Europa.
É uma decisão geopolítica importante, com vários acenos: à Rússia, de que não continuará com a política de hostilidades contra o país, ao Irã, ao qual dá um crédito com relação às afirmações de seus dirigentes quanto a seus planos nucleares; a Israel, demonstrando um minus na tutela militar que promove em sua defesa; e ao restante do mundo, por retirar de pauta uma decisão de alto teor belicicsta.
É preciso, entretanto, acompanhar atentamente qual será o plano a suceder o projeto cancelado.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Obama não suspende o bloqueio a Cuba


Contrariando os que acreditavam numa maior distensão do novo Governo dos EUA com relação a famigerada política de embargo contra Cuba (vide posição na última Assembléia da OEA), Obama resolveu por manter a aplicação da lei de Regulação de Controle dos Bens Cubanos, de 1917. Desde 1963 esta norma tem sido utilizada contra Cuba e outras nações tidas como inimigas dos interesses norte-americanos. Na prática hoje sua prorrogação atinge tão somente a ilha socialista caribenha, visto que todos os outros países não estão mais classificados como componentes da lista de rogue states.

O maior problema é a persistência de B. Obama na continuidade de confronto com o Direito Internacional, que veda a extraterritorialidade de regras nacionais, como é o caso do bloqueio.

Pior, contraria 17 resoluções seguidas da Assembléia Geral das Nações Unidas que repetem ano após ano o seguinte texto: "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro, imposto pelos EUA a Cuba".

Além de ser algo reprovável do ponto de vista do concerto das nações, a manutenção da medida tão somente reforça o poder de um pequeno grupo de exilados cubanos que vivem no sul dos EUA e que é conhecido pela tradição de ligação com negócios escusos.

Da mesma forma, sacrifica por mais ao menos um ano toda a população cubana que há mais de 40 anos vive as agruras de ser unilateralmente sancionada por outro país por sua escolha de se guiar conforme sua própria autodeterminação política.

Calcula-se que mais de US$ 700 milhões anuais são perdidos por Cuba em razão da manutenção do bloqueio.