quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Grande Nelson Freire em Goiânia


Imperdível!
Os amantes da música erudita, os que gostam de ouvir música de boa qualidade, enfim, os goianienenses poderão ouvir um dos maiores pianistas do mundo, o brasileiro Nelson Freire. Considero-o, ao lado de Martha Argerich, como o intérprete melhor habilitado de Chopin e Lizt na atualidade.
O ótimo filme de João Moreira Salles de título Nelson Freire é uma ótima indicação para quem já pensa em se preparar para o recital.
20 de dezembro, 20h, Teatro Goiânia.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Lançamento de Livro


Itamar Pires, escritor goiano-global (glocal na essência) lança seu mais novo livro "Histórias da Terra Vazia", 25 de novembro, na sede da União Brasileira de Escritores/GO, situada à Rua 21, nº 262, Centro (ao lado do largo do Lyceu de Goiânia).
Premiado pelas mais importantes instituições literárias, Itamar também foi presidente do Instituto Goiano do Livro, tendo participado ativamente da "luta editorialista" em nosso Estado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

20 anos da Constituição. Devemos comemorar.


Na esteira das comemorações dos 20 anos de promulgação de nossa Constituição Federal - sim, devemos comemorar - reproduzo excerto do constitucionalista B. Mirkine-Guetzévitch, publicado em 1957, de inspiração contratualista, mas valioso em seu sentido de crítica à normatividade em seu sentido positivista: 
Mas uma lei não é jamais uma razão escrita. É um compromisso na luta dos grupos, dos partidos, dos indivíduos. Històricamente, a lei é sempre uma transação. Isto porque a lógica jurídica sózinha não é capaz de explicar o direito. Ao lado da lógica jurídica há o direito vivo, o direito que se cria não na calma dos gabinetes de trabalho, mas no tumulto das Assembléias, na luta dos interesses, dos grupos, das nações. Assim, em cada lei é preciso observar dois elementos: a consciência jurídica da época e a técnica jurídica do compromisso entre as fôrças em luta.
[Evolução constitucional européia, tradução de Marina de. Godoy Bezerra. Rio de Janeiro: José Konfino, 1957, p. 18]

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sobre a crise financeira mundial


Posto abaixo matéria publicada no jornal Der Spiegel acerca da crise financeira mundial.
Quem me enviou foi minha ex-aluna Marcela Santos (UFG), que acaba de ser selecionada para uma bolsa de estudos na Universidade de Coimbra -parabéns! 

Gabor Steingart
Em Washington (EUA)

Mais de cem anos atrás, o sociólogo alemão Georg Simmel criticou os bancos por ficarem cada vez maiores e mais poderosos do que as igrejas. A sua principal queixa - a de que o dinheiro é o novo deus dos nossos tempos - ainda é ouvida nos dias de hoje. Se Simmel estava certo, e há indicações de que de fato estava, a declaração teria que ser modificada para coadunar-se com as circunstâncias atuais: nem todo mundo reza para o mesmo deus.

Entre o grupo de adoradores de dinheiro, existem pelo menos três fés. A primeira é a dos Puritanos, que carregam pacientemente o dinheiro deles para as novas igrejas, esperando que ele se multiplique. O chinês típico, por exemplo, deposita 40% dos seus rendimentos em bancos. Que disciplina louvável! E há também os Pragmáticos. Estes poupam e emprestam, mas somente nesta ordem; a poupança é o fator que limita a ousadia deles. Esta linha é especialmente comum nos países germânicos, nos quais o banco de poupança é o templo religioso.

Finalmente, temos a comunidade religiosa dos Desinibidos, que é especialmente popular nos Estados Unidos. Os seus seguidores não se acanham em admitir a falta de cautela, o desperdício extravagante e a cobiça onipresente.

Eles chamam isto de 'American way of life' ('estilo de vida americano'). Os seus membros vivem no aqui e no agora, sem fazer perguntas sobre o amanhã. Um empresta dinheiro ao outro, mesmo que o dinheiro não lhes pertença. Em vez disso, eles tomam quantias emprestadas com uma terceira pessoa, que prometeu conseguir o dinheiro com um quarto indivíduo - e assim por diante.

Southampton: o início do rastro de evidências

Esta comunidade religiosa é a mais fervorosa de todas. Há algum tempo, ela adotou a prática de tratar dinheiro antecipado como dinheiro real e de entender desejo como realidade. Atualmente ela não conta mais com nenhum fragmento de inibição.

Como todos sabiam que havia mais desejos do que dólares, o resultado inevitável foi uma certa lacuna de financiamento, ou déficit. Capitalismo sem capital - o núcleo audacioso desta inovação - não poderia funcionar. Não há salvação terrena - pelo menos esta foi uma conclusão quanto à qual o antigo Deus, aquele que carregou a cruz, e o novo deus, o que traz cifrões nos olhos, poderiam concordar.

E, assim, o inevitável ocorreu: o big bang. Três entre cada cinco bancos de investimento dos Estados Unidos perderam a independência, e os outros dois ainda estão afundando. Dois bancos de hipotecas e uma companhia de seguros encontram-se agora sob administração governamental.

O sistema financeiro global foi abalado, horrorizando os membros das outras duas fés. Pode haver três religiões, mas só há um céu. Se este cair, todos morrem.

Uma busca por evidências a fim de identificar os responsáveis deveria provavelmente começar em Southampton, um reduto da elite endinheirada. Nesta cidade, na parte leste de Long Island, perto da cidade de Nova York, é possível presenciar o quanto a cobiça pode ser atraente.

Trata-se de um lugar no qual as opções de ações foram transformadas às centenas em castelos de contos de fadas à beira-mar. Aproveitando-
se das brechas tarifárias, os gurus financeiros de Wall Street conseguiram retirar os seus bônus da cidade mais ou menos intactos. Segundo a legislação tributária dos Estados Unidos, a compensação na forma de ações e garantias é taxada em menos da metade do índice mais elevado de impostos. Como resultado, a taxa tributária que incide sobre os rendimentos de muitos banqueiros é inferior àquela a que estão sujeitos os salários das suas secretárias.

Como menos transformou-se em mais

Os donos destas mansões à beira-mar não estão lá neste momento, de forma que uma investigação mais profunda requer uma viagem de trem até Nova York. No arranha-céu de Midtown que abriga os escritórios do Lehman Brothers, que está em processo de encerramento da sua história, há muito o que descobrir a respeito da seqüência de eventos. Bilhões de dólares foram emprestados a pessoas que não tinham crédito para que elas adquirissem condomínios e casas de pouco valor. No jargão alegre e cínico dos banqueiros, esse tipo de empréstimo foi batizado de 'NINA', acrônimo de 'No Income, No Asset' ('Sem renda, sem bens').

Mas mesmo assim as coisas andavam bem no mundo dos financiadores. O aumento miraculoso da oferta de dinheiro contribuiu para que o preço de imóveis subisse mais de 70% entre 2000 e 2006. A indústria conseguiu obter lucros aumentando o risco. Pelo menos na folha de balanço, o menos se transformou em mais.

Em tempos melhores, alguém poderia ter chamado os banqueiros de empreendedores; atualmente, eles são chamados de irresponsáveis. Antes mesmo do surgimento da expressão banco de investimentos, Karl Marx sabia como as duas coisas estavam vinculadas: 'O capital tem tanto horror à ausência de lucro ou de um lucro muito pequeno quanto a natureza tem horror ao vácuo. Com um lucro apropriado, o capital é despertado; com 10% de lucro, ele pode ser usado em qualquer lugar; com 20%, torna-se vivaz; com 50%, fica positivamente ousado; com 100%, ele esmagará com os pés todas as leis humanas; e com 300%, não existe crime que ele não se disponha a cometer, ainda que se arrisque a ir para a cadeia'.

A fé de Paulson

Agora o rastro conduz de Nova York a Washington, onde o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, tem o seu gabinete na Avenida Pensilvânia. O seu ministério é tão importante que há um portão ligando o subsolo do Departamento do Tesouro ao da Casa Branca. A atitude adotada por Paulson em relação aos bancos foi a de deixá-los atuar livremente, e ele agora pretende assumir os prejuízos dessas instituições. Para os altos círculos financeiros, ele tornou-se algo como uma garantia extra. O objetivo dele é eliminar a ameaça de cadeia - mas não a cobiça.

Paulson já foi um banqueiro de Wall Street. Ele é um homem de boas maneiras e princípios firmes. Em tempos normais, ele tem fé no mercado, em Deus e em George W. Bush. Mas em tempos como estes, ele prefere depositar a sua fé no governo, no contribuinte e em Bush.

Ao contrário do que muito se anunciou, Paulson não pretende utilizar as rendas obtidas com impostos para financiar o pacote de socorro aos bancos. Em vez disso, a intenção dele é tomar novos empréstimos de bilhões de dólares em nome do Tesouro dos Estados Unidos. 'Detesto o fato de termos que fazer tal coisa, mas isto é a melhor do que a única outra alternativa'
, disse ele na semana passada. O presidente já deu o seu sinal de aprovação.

É isso o que acontece com as comunidades religiosas quando sofrem pressões: elas tornam-se ainda mais fervorosas. A idéia é que o mesmo tipo de pensamento de curto prazo que provocou o desastre vá agora pôr um fim a esta situação calamitosa. O governo está tentando extinguir o fogo com combustível, e não com água. Na verdade, este é exatamente o mesmo combustível que deu início ao incêndio em Wall Street: dinheiro emprestado.

A única diferença é que os novos empréstimos não virão do sexto, do sétimo ou do oitavo membro da comunidade religiosa. Eles serão coletados de todos os contribuintes. Isso significaria o fim da separação entre igreja e Estado, sendo que Wall Street se tornaria a religião nacional.

Os pontos em comum com as outras duas comunidades religiosas já estão desaparecendo. Coisas que na época da tradicionalmente honrada economia de mercado eram consideradas inseparáveis - como valor e consideração, salário e desempenho, risco e responsabilidade - estão sendo agora rasgadas em nome do governo. O capitalismo atualmente exibido pelos Estados Unidos é uma versão rota e degradada daquilo que costumava ser.

As ações dos políticos estão amplificando, em vez de mitigar, os efeitos do fracasso econômico. O capitalismo no estilo norte-americano ainda não morreu, mas está simplesmente preparando o seu próprio falecimento. A história destes dias é a história de uma morte que já foi anunciada. O que nos leva a Miss Marple.

Começou um jogo perigoso com o tempo

A detetive amadora imaginada por Agatha Christie, baseada na avó da escritora, era equipada com algo mais do que apenas um senso de humor e uma compreensão da natureza humana. Ela também tinha experiência em relação a coisas óbvias que ninguém acredita serem possíveis - até que elas aconteçam. No seu romance de 1950, 'A Murder is Announced' ('Convite para um Homicídio'), Christie olhou para o futuro de maneira cômica.

A história transcorre mais ou menos assim: certa manhã, os cidadãos leram a seguinte mensagem nos classificados de um jornal local: 'Um assassinato foi anunciado e ocorrerá na sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30. Amigos, por favor aceitem isto, a única intimação'. Na hora designada, metade da vila reuniu-se na casa onde o assassinato supostamente aconteceria. A advertência é tratada como uma piada frívola, que ninguém desejaria rejeitar. Serve-se sherry aos presentes. O grupo é tomado por um pânico coletivo. Exatamente às 18h30, as luzes apagam-se.

'Não é maravilhoso?
', diz uma voz feminina. 'Estou trêmula'.

Quando as luzes voltam a acender-se - para a surpresa de todos - um crime foi cometido. E agora nós, assim como os presentes na sala em Little Paddocks, estamos de pé, sussurrando, tomados pelo medo coletivo, aguardando para ver o que acontecerá a seguir. E ninguém acredita seriamente que um crime de verdade está prestes a ocorrer.

'Todos estavam em silêncio e ninguém se movia. Todos olharam para o relógio... Quando a última nota terminou, todas as luzes apagaram-se. Murmúrios de alegria e gritinhos femininos de satisfação foram ouvidos no escuro. 'Está começando', gritou a senhora Harmon, extasiada'.

Um futuro vendido

Quem quer que espere receber um alerta antecipado deveria simplesmente expandir o seu campo de visão enquanto as luzes permanecerem acesas.

As companhias de cartão de crédito dos Estados Unidos não estão em uma situação significativamente melhor do que os bancos. Elas também venderam o futuro e até mesmo uma parcela do período posterior a ele.

A indústria automobilística norte-americana também se encontra seriamente combalida e tem dificuldades para estender as suas linhas de crédito no mercado aberto. A indústria perdeu mais de 300 mil empregos desde 1999. Mas qual é o benefício disto se são os gerentes - e não os trabalhadores - os culpados pela crise? A enorme conta dos Estados Unidos com a compra de petróleo - cerca de US$ 500 bilhões (? 345 bilhões) - é atualmente paga com dinheiro emprestado pela China. A cada dia útil, a dívida externa dos Estados Unidos aumenta em quase US$ 1 bilhão (? 690 milhões).

Provavelmente a pílula mais amarga de engolir nos Estados Unidos de hoje é o fato de os lares privados não estarem administrando as suas finanças de maneira melhor do que os executivos de corporações. Estes lares vêem o reflexo de suas imagens nos banqueiros de Wall Street, e não uma espécie de figura destorcida de si próprios. 'De fato, não conheço nenhum país no qual o amor pelo dinheiro tenha se estabelecido tão fortemente no sentimento dos homens', observou Alexis de Tocqueville 170 anos atrás.

A conversa há muito necessária entre o governo e os governados ainda não se materializou. Essa teria que ser uma conversa a respeito da relação entre a economia e os valores, sobre a recuperação daquilo que se perdeu, em vez de sobre expansão. A palavra frugalidade - que desapareceu do vocabulário dos Desinibidos - deveria ser reintroduzida.

Mas não há sinal de que nada disso esteja acontecendo. Os Estados Unidos de hoje são muito estadunidenses para sobreviverem na sua forma atual. Mas os Estados Unidos atuais são também muito orgulhosos para perceberem isto. Os fiéis dificilmente permitiriam que alguém os convertesse.

Assim, a nossa compreensão dos acontecimentos continua ficando cada vez menos clara. Teve início um jogo perigoso com o tempo.

'O ruído de duas balas sacudiu a complacência da sala. Subitamente, o jogo não era mais um jogo. Alguém gritou... 'Luzes'. 'Não consegue encontrar um isqueiro?'..
.'Oh, Archie, quero sair daqui''.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cançado Trindade eleito para a CIJ


O Professor da UnB Antonio Augusto Cançado Trindade foi eleito ontem pela Assembléia Geral da ONU para assumir a função de juiz da Corte Internacional de Justiça, na Haia, Holanda.
Trata-se do sexto brasileiro a desempenhar a função de membro da Corte (computando-se a presença de Rui Barbosa na CPIJ).
A eleição se deu por 163 votos a favor, contrariando a vontade dos EUA que apoiaram a indicação de um jurista colombiano, que acabou por renunciar à candidatura ao final. No Conselho de Segurança a indicação de Trindade só não foi unânime em razão da abstenção dos estadunidenses.
Cançado Trindade é internacionalista de renome. Considero-o a maior autoridade em Direito Internacional dos Direitos Humanos do mundo.
Foi Consultor Jurídico do Itamaraty, juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos e é membro da Academia de Direito Internacional da Haia.
Espera-se dele uma atuação de destaque na CIJ, reforçada por sua conduta firme na defesa da dignidade da pessoa humana e na tradição de culto ao Direito Internacional. Ultimamente vinha criticando as posições dos EUA relativas a Guerra do Iraque (Abu Ghraib e Guantanamo), considerando-as incompatíveis com o Direito Internacional.
Ressalta-se sua linha de defesa do chamado jus cogens internacional, o que deverá refletir na jurisprudência da Corte.
Ao jornal Correio Brasiliense de hoje ele afirmou que: "Estou muito emocionado. A minha escolha foi uma vitória da comunidade jurídica internacional e dos países em desenvolvimento."
Parabéns ao Itamaraty pela indicação e ótimo trabalho nesta sessão da AG da ONU!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Halloween o caralho!! Viva o dia do Saci!!


Dia do Saci vai vencer o Dia das Bruxas!!

MARX E A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL


“Em um sistema de produção onde toda a continuidade do processo de reprodução depende do crédito, quando este acaba subitamente e somente transações com dinheiro passam a ser aceitas, é inevitável que ocorra uma crise, uma tremenda demanda por meios de pagamento. É por isso que, à primeira vista, a crise inteira parece ser somente uma crise de crédito e de moeda. E de fato trata-se apenas da conversibilidade de letras de câmbio em dinheiro. No entanto, a maioria destes papéis representam compras e vendas reais, cuja extensão – para muito além das necessidades da sociedade – é, afinal, a base de toda a crise. Ao mesmo tempo, há uma quantidade enorme destas letras de câmbio que representam mera especulação, que agora revela sua face e colapsa; especulação fracassada com o capital de outras pessoas, com o capital-mercadoria depreciado ou invendável, ou com ganhos que nunca mais poderão ser realizados. Todo esse sistema artificial de expansão forçada do processo de reprodução evidentemente não pode ser resolvido com um banco, por exemplo, o Banco da Inglaterra, entregando a todos esses especuladores o capital que lhes falta através de seus títulos, comprando mercadorias depreciadas a seus antigos valores nominais. Aliás, é nesse momento que tudo começa a parecer distorcido, já que nesse mundo de papel, o preço real e seus fatores reais desaparecem, deixando visível somente metais, moedas, cédulas, letras de câmbio e títulos.”

Karl Marx, 
O Capital, vol. 3, cap. XXX.

(Abraços ao amigo Felipe Maia - SP - que me enviou o texto)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um pouco de futebol - Armando Nogueira


Nosso tema não é futebol. Mas é impossível deixar de divulgar o belo trabalho de Armando Nogueira "Na Grande Área", relançado agora pela Editora Lance!.
Leiam abaixo uma simples "degustação". É puro deleite em ótimo português.

Tudo acontece na grande área: a guerra de Pelé, a guerrilha de Garrincha. O chute fatal, a rebatida heróica. O drible temerário de um beque, a tragédia do goleiro, em cujos pés solitários a grama não floresce.

Na grande área, ressoa, implacável a hora da verdade, erguendo e derrubando mitos no gesto simples de chutar uma bola. Na grande área, nasce o gol, nasce o infarto que mata de emoção o torcedor. Na grande área, onde os homens se acovardam e se engrandecem, a rasteira é pecado que no ato se paga pelo castigo do pênalti, entidade tão decisiva no destino e um jogo que segundo um velho pensador do futebol (n.d.l.r. Nenem Prancha), só devia ser cobrado pelo presidente do clube.

Nos canteiros da grande área, os pés imortais de Domingo da Guia, pisando a grama de leve para não magoar a própria semente da sua arte. Nilton Santos.

Quanta emoção na pureza geométrica da grande área, onde nem falta o singelo mistério de uma meia-lua, quarto minguante dos fracos, lua cheia de Leônidas. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Convocado VII Congresso Brasileiro de Direito Internacional


A Academia Brasileira de Direito Internacional convoca seu 7º Congresso para os dias 19 a 22 de agosto de 2009.
Agende-se!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Dans la rue


"Le droit qu'on trouve dans la rue. comme cours de Faculté de droit, ce nes’t pas mal! Décidément, nous avons, en France, bien do chemin à faire... dans la rue, de préférence, nous qui, aprés tant d'annes d'études, connaissons mieux las couloirs du Palais que les dédales des quarties populaires..." Andre-Jean Arnaud

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Revista Nosso Caminho - Niemeyer


Imperdível!!
Saiu o segundo número da nova revista editada pelo incansável e incrível Oscar Niemeyer.
Denominada "Nosso Caminho", ela aborda temas ligados à arte, cultura, política, ciência e arquitetura.
Atendem pela Internet, com envio pelos Correios. 

sábado, 6 de setembro de 2008

Marramao na UnB



O filósofo italiano Giácomo Marramao proferirá palestra sobre o 11/09, na mesma data, pela manhã no auditório da FDUnB.
Durante toda a semana os alunos da pós da UnB, PUC MG e UFSC participarão de um seminário com o autor de Passaggio a Occidente em encontros presenciais e video-conferências.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Congresso do CONPEDI 2008



Indico a todos a inscrição e participação no XVII Congresso Nacional do CONPEDI - Brasília, 20-22/11/2008.
O prazo para submeter trabalhos já está aberto.
PRAZO PRORROGADO PARA 28/09.

Giacomo Marramao



Indico a leitura do texto "PASSADO E FUTURO DOS DIREITOS HUMANOS -
Da 'ordem pós-hobbesiana' ao cosmopolitismo da diferença", do filósofo italiano Giacomo Marramao. Trata-se de palestra proferida no último Congresso Nacional do CONPEDI (2007) e analisa a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 segundo premissas da escola de estudos pós-coloniais, com olhares gramscianos e habermasianos sobre os direitos humanos e a noção de modernidade-mundo.
Interessantíssima a interface entre o local e o global: "glocal", e o diálogo com Kant e Kelsen acerca de uma ordem jurídica internacional.

Disponível em http://conpedi.org/manaus/arquivos/ciacomo_marrama.doc

Reportagem Times Higher Education 1998


http://www.timeshighereducation.co.uk/story.asp?storyCode=108727&sectioncode=26


Youth seek free, equal access to education


21 August 1998


Rebecca Warden, Braga

Student leaders from around the world used the platform of this month's United Nations World Youth Forum to argue for free and equal access to higher education.


The forum brought 500 young people to Braga, northern Portugal, to discuss youth participation in world affairs. While other working groups debated issues such as human rights, development, health and employment, youth and student representatives from 30 countries concentrated on a blueprint for education for the 21st century.


The World Youth Forum was asked to make three recommendations for change to present to UN ministers responsible for youth in Lisbon shortly after the forum's end.


After intense debate, the three issues chosen were: free and equal access to education; the value of non-formal as well as formal learning for the full development of the individual; and the need for appropriate curricula, sensitive to local needs and reflecting a sense of global citizenship. The need to empower students to participate actively in decisions concerning education was a fourth concern.


Student leaders agreed that access and funding are key issues for higher education everywhere. "There is a funding crisis for education globally," said Ben Playle of the UN Youth Association of Australia. "In many people's eyes, virtually no country gives education adequate funds."


The limits to access vary from country to country. In Australia, students are protesting against new upfront tuition fees for some degree courses as well as increases in the deferred payment system.


In Nepal, the chances of a place at university are extremely low. Only about 1 per cent of the university-age population is able to study, said Keshav Pandey of the Asian Student's Association. He was dismayed that World Bank proposals for raising standards in Nepalese higher education involve reducing student numbers still further.


"Already our numbers are low, and they are asking for even that to be reduced, so access will get even harder," he said.


The recommendation on access, which will go to the UN's next general assembly, calls on governments to increase spending on education and urges Unesco and the international community to set up a global education fund to help poor students pay for housing, transport and materials to ensure "free and equal access".


Delegates argued that the content of education should be revised to include teaching on universal values such as peace, human rights, intercultural understanding and environmental protection and to promote global citizenship.


"We are not only educating ourselves to get a job, but also to experience democracy and to be a part of society," said Cecile /yen of the Norwegian Youth Council.


Many felt that curricula were out of date and out of touch with local needs, particularly in less developed countries. Aicha Coulibaly of Burkina Faso's Organisation of African Unity Club, said universities are not training the specialists her country needs. She was pleased, however, that local languages such as Moore, Dioula and Fulfulde have been put on the university curriculum alongside English and German.


A third concern centred on participation. The delegates believe young people are still under-represented when it comes to taking decisions on education even though they are supposed to be the main beneficiaries. Their recommendation, which did not make the final three but did get a special mention, calls on governments to support bodies that give students a voice and leadership training and youth exchange programmes.


"Conferences such as this are positive as they make young people realise they are protagonists, not just people who wait for the state to do things for them," said Roland Ranaivoarison, president of the International Movement of Catholic Students.


Although the student representatives could reach agreement on broad principles on education, it also became clear that their priorities are often very different. Wladimyr Camargos, in charge of international relations at Brazil's General Student Union, thought that students from wealthier countries tend to protest less on issues such as funding or access because their resources are greater. On the other hand, European students show more interest in issues such as mobility or international exchange programmes such as Erasmus.


"It is not that we are not interested - we are," he said. "But it just is not a priority. We are still fighting for the basics."


WORLD YOUTH FORUM RECOMMENDATIONS FOR EDUCATION IN THE 21ST CENTURY


Access - economic status should not determine access to higher education.


Non-formal education - governments should recognise the value of non-formal education for the full development of individuals.


Curricula - curricula must be relevant to employment opportunities but should also incorporate the teaching of languages, including local and indigenous languages, and universal values such as peace, human rights, intercultural understanding and environmental protection.


Participation - governments should empower youth and give them full participation in decision-making in education.